27.3.07

Livro Recomendo: A Casa dos Budas Ditosos

A Casa dos Budas Ditosos. Autor: João Ubaldo Ribeiro. Editora Objetiva. Cotação: Muito Bom.
Ao receber, segundo afirma, um pacote com a transcrição datilografada de várias fitas, gravadas por uma misteriosa mulher, o escritor João Ubaldo Ribeiro não podia imaginar o que o esperava. E a suposta autora teria enviado seu testemunho para que fosse utilizado para o volume sobre a luxúria da Coleção Plenos Pecados, um relato pouco comum, às vezes chocante, às vezes irônico, sempre instigante. Na verdade, dificilmente a ficção poderia alcançar os limites do que a devassa senhora viveu e narra em detalhes riquíssimos. Se o leitor tem alguma dúdida, ela logo se dissipará, neste fascinante mergulho na vida espantosa de uma mulher sem dúvida excepcional , cuja narrativa alcança as dimensões de um retrato sociológico de toda uma cultura e uma geração, envolvendo um dos pecados mais indomáveis, e capitais a luxúria!

26.3.07

Flagelo

Errar,
quando o certo
sabias.

Não fazer,
o que deveria ser
feito.

O certo
a ser feito.

Tolice,
saber o certo e
fazer o errado.

Pagar
pelo erro.

Era o correto
mais barato.

Agora,
tudo é incerto!

22.3.07

Racional

Privei-te do meu amor
pois, não queria causar dor.
O meu corpo tem espinho,
e não acho outro caminho.
Digo não para você
pra carregar o fardo sozinho.

Fazer sofrer a quem só queria amar,
esquecer para dor maior não carregar.
Das lágrimas não brotam flores,
só ajudam a enterrar amores.
Ficando auto-suficiente
derrubando cadeias, vencendo temores.

21.3.07

Ajude a acabar com o preconceito!

Quase todos os dias os jornais trazem notícias de pessoas que foram agredidas ou mortas em razão de sua sexualidade. Pesquisas realizadas na Paradas GLBT mostram que três em cada cinco gays, lésbicas, bissexuais, travestis ou transexuais já sofreram algum tipo de agressão em função de sua sexualidade. Esse tipo de intolerância à diferença é chamada de homofobia.

O Projeto de Lei que criminaliza a homofobia em todo o território nacional, poderia ter sido aprovado pelo Senado no dia 16/03, mas foi retirado de pauta "para ser discutido" após pressões de setores conservadores. Uma comissão foi aberta, durante 15 dias, para estudar o caso. Por isso, peço sua ajuda para pressionar o Senado pela aprovação dese projeto.

A equipe da Campanha GLBT criou uma maneira de facilitar para facilitar a manifestação dos cidadãos em favor da aprovação. Para enviar um email aos Senadores e Senadoras reafirmando o quanto é importante a aprovação deste projeto você só precisa ir até a página da Campanha, ler atentamente o texto em apoio à aprovação do projeto e, caso concorde, basta preencher com seu e-mail e nome verdadeiros e clicar em ENVIAR.

Participe e divulgue!

É rápido e fácil, entre agora no site e participe! Faça sua parte! O link da campanha é: http://www.campanhaglbt.com/queremosaprovacao

Divulguem aos amigos, quanto mais gente enviar, melhor. Temos pouco tempo!!!

Dia Internacional Contra a Discriminação Racial - 21 de março


"Um sorriso negro, um abraço negro
traz felicidade
Negro sem emprego, fica sem sossego
Negro é a raiz da liberdade
Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio, é luto
negro é...a solução
Negro que já foi escravo
Negro é a voz da verdade
Negro é destino é amor
Negro também é saudade
Um sorriso negro, um abraço negro
traz felicidade" (Sorrisso Negro - Dona Ivone Lara)

16.3.07

O oriente e a sexualidade


Por José Arrabal.

"Não é Oriental o fascínio pela jogatina vaidosa na disputa das mais inseguras ilusões, sempre ameaçadas por solidões desgastantes, sempre vivendo ansiedades competitivas, vazias, ocas, e, por fim, descartáveis.
Não é Oriental essa encenação do gosto imediato pelo consumo das futilidades, de costume governado por fetiches. Esse teatro onde todos são meros objetos de todos. Onde os corpos são somente coisas, montes de carne retalhados, assustados, esfomeados e antropófagos, esses medrosos bonecos de carne. Isso não é nada Oriental.
Não vêm do Oriente essas imaturas necessidades de afirmação que são filhas do medo e da baixa estima. Esse espetáculo tragicômico, reprimido, carente e canibal, infantilizado e covarde, circo ridículo de engolidores de porra, beatos em suas devoções ao falo fedido do macho patriarcal, mundo superficial e farsesco, esse mundo das vidas exibidas nos açougues do mercado modelo das tortas avenidas da cidade gay.
Cidade em que predomina a vida virtual, desindividualizada, com a vida real consumida numa fogueira de vaidades mascaradas. Cidade onde a imagem da vida consumida se mostra através de labirintos de espelhos fragmentados em mil cacos, no que ninguém se enxerga e todos vivem posturas, gestos e gostos programados, seduzidos pelo poder dos cacetes e, tantas vezes, ansiosos por duras cacetadas. Terra de escravos do desejo que sequer sabem ou sentem ao certo e com segurança o que desejam. Terra onde ninguém é alguém. E todos vivem posando de pobres coitados.
Cidade onde todos acordam e vão dormir sempre com a mesma fome que nunca conseguem saciar. Onde todos sempre procuram e jamais encontram o que procuram, porque, perdidos de si mesmos, não conseguem jamais sentir o que desejam encontrar e, os que encontram, descartam o que encontraram, viciados na procura eterna, vitimados por suas permanentes insatisfações e infelicidades, com rancor da vida que sentem como que condenados a viver, enquanto macaqueiam suas risadinhas histéricas, mediadas por suas dissimulações.
Terra onde a história que se vive é uma história de desgastes, descartes e perdas. Onde tudo é sempre nada, porque é sempre o que vai embora e o que foi, sendo obra de identidades que anseiam se desconstruir, na medida de seus desagrados consigo mesmas. Nesse império de tanto auto-desagrado, jamais se busca uma realidade que enriqueça a realidade que se vive. Jamais se pretende um percurso de vida empenhado na valorização da existência pelo auto-conhecimento. E, assim sendo, tudo se torna mero circo promíscuo e tanático, onde energias se consomem, como se a existência se resumisse a ser um exibido e vulgar baile de máscaras. Terra onde tudo não passa de uma triste ânsia da morte do que acontece, pois nada se vive, senão o usofruto de uma vida virtual, em que sujeitos tornam-se objetos uns dos outros, em suas existências emocionais aprisionadas na infância e, quando além dessa infantilização, contidas numa insegura adolescência eterna.
Perversa cidade de acovardados e abobalhados peterpans, que, invertidos na consciência de suas realidades, vivem o frisson de se imaginarem astutos. Império da noite eterna, onde poucos se salvam. E os que não se salvam permanecem cegos pela escuridão dessa noite, vagando de pica em pica ou de bunda em bunda, sempre desconstruíndo suas histórias de vida, guiados por desgostos consigo mesmos, sempre morrendo ou matando a cada encontro, no triste e contínuo velório da cidade em que habitam.
Não é Oriental, esse império dos sentidos centrado na genitália e na analidade. Nada disso tem a ver com a elegância da harmonia do Tao, com a ordem criadora do Confucionismo, com a alegria revitalizadora do Xintô, com a tranqüilidade do Budismo, muito menos com o prazer do Tantra hinduísta. E, se posturas, gestos, procedimentos semelhantes, hoje, tb, ocorrem na sociedade oriental, se dão como resultado da ocidentalização do Oriente, fruto da decadência dos mais significativos valores da história cultural das sociedades orientais.
Assim como essas posturas, gestos e procedimentos ocidentais são expressões de decadência dos mais iluminados valores da história cultural do Ocidente. (Vale observar que tais decadentismos culturais do consumismo dos corpos, no presente estágio histórico neo-liberal da economia das relações interpessoais, não acontecem de modo tão diverso na dita cidade hétero, ainda que seus habitantes adequados compartilhem do mando e do desmando do agitado e arrogante mercado falocrata do sexo, na grande Polis, todos os dias e todas as noites vagando tensos e acelerados de pica em vagina ou de vagina em pica, com todos os lugares de vivência, trabalho e lazer para eles, com o mundo inteiro para eles, assim, nos seus modos, despidos da necessidade agravante e desfeliz dos guetos que tanto deformam e oprimem ainda mais a vida conforme desvivida na cidade gay.)
Decadentismos que precisam ser superados, a favor da predominância de renovados valores significativos que tenham como norte criador o afeto, a felicidade, o prazer da vida viva nas relações interpessoais, no interior do ecossistema social do cotidiano planetário, sem nos importarmos com as semelhanças ou diferenças de raça, etnia, religião ou sexo, na liberdade de aproximação e união afetiva dos indivíduos. "

15.3.07

Auto-Superação

Quando o seu inimigo esta refletido no espelho.
Vozes que cresceram com você. E tudo aquilo que nunca tentou, mas sempre achou que não podia. O olhar e opinião dos outros sempre querendo nos colocar para baixo. A lei da gravidade parece influenciar nossa auto-estima. Voar, sonhar, subir não é aceito.
Vencer a imagem que atribuíram a você. Auto-superação! Romper os limites impostos.
Descobrir ate onde você pode chegar, quais são suas reais limitações. Mesmo sem aplausos, sem urros de incentivo, continuar lutando e no final vencer os próprios medos, vencer-se!

“Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura” (Fernando Pessoa)

12.3.07

Livro Recomendo: Fausto

A História Trágica do Doutor Fausto. Autor: Christopher Marlowe. Editora Hedra. Cotação: Muito Bom

Considerado símbolo cultural da modernidade, Fausto é um poema de proporções épicas que relata a tragédia do Dr. Fausto, homem das ciências que, desiludido com o conhecimento de seu tempo, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que lhe enche com a energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso. Esta mesma energia, porém, faz de Fausto um homem desdenhoso das consequências e estragos de sua ciência, tornando-o um gênio leviano, um louco obcecado pelo progresso e cego para tudo mais. Após 24 anos Fausto deve fazer o pagamento de seu pacto com a própria alma!

Cinema Recomendo: Os doze trabalhos


Os doze trabalhos. Direção: Ricardo Elias. Cotação: Bom
Os 12 Trabalhos é uma livre inspiração no mito de Hércules para a São Paulo do século XXI. Hércules é o nome pelo qual é mais popularmente conhecido o personagem Héracles, do mito.
Recém-saído da Febem, o jovem Héracles tem poucas chances na vida. Morador de um bairro pobre na periferia de São Paulo, ele é assediado por bandidos para seguir no caminho que o levou para a instituição, mas deseja mais do que esta vida. Desenhista, o rapaz sonha em ter um emprego honesto que o mantenha longe da criminalidade, enquanto não consegue ganhar a vida com suas ilustrações.Para cumprir seu sonho, ele contará com a ajuda de seu primo, um motoboy que o ajuda a ser chamado na mesma empresa em que ele já trabalha. Porém, para ser contratado, o garoto precisa realizar uma série de tarefas. Se cumprir Os 12 Trabalhos, o emprego está garantido. Héracles terá que enfrentar uma série de barreiras sociais, morais e emocionais para superar seu primeiro dia e, enfim, conseguir a vaga.

8.3.07

Andrógino

"Os homens cuja natureza não tem nada de feminino não são humanos." Helge Krog

‘A’ ou ‘O’? Ativo ou Passivo? Homem ou mulher? Côncavo ou Convexo?
Eu sou um homem mulher transplantado de tantas chagas e de tanta ferida que continua a sangrar que a única coisa que consigo observar em mim é a risada que vou dar agora.
Porque interpretar o papel de homem ou de mulher? Posso ser o que há de melhor em um e no outro. Nasci com este dom. Por que esta necessidade de rótulos delimitadores quando na verdade sou mais que isso?
Eu sou um homem mulher e uma mulher homem por que o que mais me irrita é o vazio e o marasmo que atende pelo nome ou de homem ou de mulher. Masculino, feminino? Melhor que isso: homossexual! Não é um meio termo, é o equilíbrio primaz em ser completo.
Eu, o ser andrógino por excelência e por referendum é que me consisti e me desconstruí no dia que eu voltei às origens e ao primevo ser que sou. Se gosto de chocar e melindrar a sociedade é por que esta foi a maneira que encontrei para expressar meu descontentamento com todos os anos de repressão, com as ameaças, com as algemas que me impõem, com minha adolescência perdida.
Meu lado mulher é meu grito, contra essa sociedade machista, é a estereotipação de minha liberdade! Eu sou ele-ela insistente e reiterante, uma ogiva ou uma bala de revólver que com a mesma potência ou destrói ou se deixa destruir. Se o masculino converte no feminino e se esse se deixa converter, e sobrepõe o anterior, se refestela dentro do heróico ato de só ser... Sou a vicissitude entre o macho e a fêmea ou vice-versa!

5.3.07

Cinema Recomendo: Notas sobre um escândalo

Notas sobre um escândalo (Notes on a Scandal). Direção: Richard Eyre. Cotação: Muito Bom.
Barbara Covett (Judi Dench), uma professora prestes a se aposentar, vive sem amigos, sozinha com um gato, por considerar mais importante ser rigorosa e respeitada pelos alunos do que popular. Quando a escola em que trabalha contrata Sheba Hart (Cate Blanchett) para as aulas de artes, todos ficam encantados por aquela mulher, até mesmo Barbara, que vê nela a amiga que sempre quis ter, e até mais do que isto. Um dia, porém, ela descobre que a novata está tendo um caso com um aluno de apenas 15 anos. Barbara percebe que esta informação pode fazê-la se aproximar de Sheba e, assim, ter a chance de conquistá-la. Mas, por ser ciumenta e possessiva, ela aos poucos vai se tornando uma ameaça e deixa a colega num dilema entre manter seu relacionamento proibido e arriscar seu casamento, emprego e liberdade, ou terminar tudo e se submeter aos seus caprichos. A história é narrada a partir dos diários que Barbara escreve todas as noites, em que revela os seus segredos.

Eclipse Lunar

Quem poderia imaginar
que a lua me faria sonhar,
um convite e o eclipse lunar,
faltou pouco para me conquistar.

Pena que o meu embaraço,
não permitiu que ampliássemos espaço
para na cama fazer o que prometi no terraço
e que a noite não terminasse apenas num abraço.

2.3.07

Livros Recomendo: Poemas e Canções e Apócrifos: Os proscritos da Bíblia



Poemas e Canções. Vicente de Carvalho. Editora Saraiva. Cotação: Bom

"Já disse que o Sr. Vicente de Carvalho tinha um parentesco assaz com o Parnasianismo. É verdade. O autor de Poemas e Canções não é legítimo parnasiano. Apenas soube aproveitar da escola poética de Bilac os grandes benefícios que trouxe, no Brasil, para a construção do verso. Metrificação mais perfeita, adjetivação mais viva, maior variedade nas rimas... Mas o Sr. Vicente de Carvalho sobre ser artífice inteligente, é genuíno artista. Mais poeta que todos os metrificadores de sua geração". - Mário de Andrade




Apócrifos: Os Proscritos da Bíblia. Compilação: Maria Helena Oliveira Tricca. Editora Mercuryo. Cotação: Muito Bom
Entre o Velho e o Novo Testamento há um período denominado ´intertestamentário´. E nesse período a produção de textos relativos a Jesus Cristo e ao próprio Velho Testamento foi enorme. Tais textos eram classificados como ´judaicos´, ´cristãos´ e ´gnóticos´, e havia muita rivalidade entre as seitas que os adotavam. Quando a Igreja primitiva começou a ganhar força fez queimar textos que considera ´heréticos´, e alguns deles só se salvaram graças às suas traduções para o grego. Finalmente, em um dos primeiros Concílios, alguns desses textos foram escolhidos por serem considerados ´inspirados pelo Espírito Santo e a eles foi atribuída ´autenticidade´.Mas, e os outros? Por que só quatro Evangelhos ´inspirados´?A resposta fica clara ao se conhecer os textos dos Evangelhos Apócrifos.

Cinema Recomendo: Pecados Íntimos

Pecados Íntimos (Little Children) Diretor: Todd Field Cotação: Bom
Em uma cidade onde tudo parece caminhar de uma forma correta, um ex-presidiário aparece causando certo mal-estar entre os moradores. O homem, que cumpriu pena por abuso sexual de menores, volta pra casa depois de estar novamente dentro da lei. Se observados mais de perto, porém, todos os moradores têm os seus Pecados Íntimos.Brad é um estudante recém-chegado na cidade. Numa troca de papéis, ele cuida da casa enquanto sua esposa, Kathy, trabalha para sustentar a família. Levando o filho para brincar ele acaba atraindo a atenção das mães e conhece Sarah, com quem acaba tendo um relacionamento. O que é facilitado pela frustração dela com o casamento com Richard, um consultor viciado em pornografia.