29.6.07

Carne e Osso

Carne e Osso (Zélia Duncan)

A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu

E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano

Pois, perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito, insosso
Pra não ser de carne e osso
Pra não ser carne e osso

26.6.07

As horas passam

As horas passam
rugas insistem em aparecer.
Nova aparência,
quem vai me socorrer?
Será que eu vou chegar
ao fim de mais um calendário?
Quantos serão os meus
vindouros aniversários?
Pulsa vida,
nessa luta contra a única certeza.
Pulse vida,
deixe eu aproveitar os dias com clareza.

Você pode, mas...

Você pode ser burro, mas não seja mal informado.
Você pode ser pobre, mas tenha estilo.
Você pode ser feio, mas mantenha-se sempre cheiroso!

25.6.07

Ebulição

Quero derramar-me,
fluir num mar de ilusão.
Em ondas de fantasia
no oceano de imaginação.

Quero evaporar-me,
nebular num céu de esperança.
Em ventos de regozijo
na atmosfera de satisfação.

24.6.07

Não

Não vivo para os outros
Não supro expectativas
Não se iluda
Não espere nada de mim.

Egoísta;
sozinho eu sei
mas feliz!

23.6.07

Quem gosta de homem?


"Preciso de um peso de homem sobre meu corpo, preciso de um membro duro de homem para emudecer em minhas entranhas esse vazio áspero que me faz sempre dançar e dançar, como possuída por alguma força estranha que reage sem cessar à imobilidade da morte." (Caio F. Abreu)

22.6.07

Caridade é dar

Já diziam os sábios:
A caridade traz felicidade!
Ainda mais quando você dá para um necessitado
A ânsia com que ele recebe
é proporcional ao impacto do gozo de quem dá.

Ah! Caridade...
Esqueça aquele ditado que minha avó dizia:
“Fazer o bem sem olhar a quem” .
A caridade é só pra quem merece!
E quem dá, sempre recebe.

Quando fores dar
faça pela porta dos fundos e não saia contando.
Lembre-se do conselho:
“Mas, quando tu deres,
não saiba a tua mão esquerda
o que faz a tua direita.”

E dar é bom.
É o único momento, em que,
um vazio interior é preenchido com algo exterior!
ou vice-versa.

E quem dá, dorme e acorda melhor.
Se o mundo vivesse este amor ao próximo
Todos sorririam mais...

19.6.07

Curiosidade

Às vezes,
sinto vontade de morrer
só pra saber como é.

18.6.07

Gato de Rua

Cachorro não! Gato.
Gato de rua, mas gato.

Porque é melhor assim
não ter dono nem coleira.

Fazer cara de manhoso
e ganhar o que quer.

Saciado, sair de mansinho
e pular em outro telhado.

Face de mascote,
alma selvagem.

Pele de bichano,
garras de felino.

Mudar conforme a lua.
Preocupação: a própria felicidade.

E só retornar ao lar
para o facho descansar.

Ronronar, gozar,
entreter, viver.

Miau!

Livro Recomendo: Pessoas Problemáticas

Pessoas Problemáticas - Como Conviver com Elas. Autor:Joseph Dunn Editora: Madras Cotação: Regular

Com uma mistura única de humor e interpretação, o psiquiatra Joseph Dunn explica porque existem tantas pessoas que sofrem no mundo e, mais importante, que há cura para elas. No momento em que terminar de ler o livro, ele garante que você vai saber mais sobre as pessoas que sofrem, e não vai ser uma delas! Você vai adorar reconhecer aspectos da personalidade dos seus amigos e colegas e a sua própria.

15.6.07

Certezas


Eu só precisava ouvir tua voz
Ter certeza que ainda sorris
E que teu sorriso continua apaixonante.

Eu só queria te ver
Ter certeza que és lindo
E que tua beleza continua me atraindo.

Eu só desejava beijar teus lábios
Ter certeza que ainda beijas bem
E que teu beijo ainda é o melhor que já senti.

Eu só queria ver meu coração bater
Ter certeza que me apaixonei
E que tive e te perdi.

13.6.07

Livro Recomendo: A menina que roubava livros

A menina que roubava livros. Autor: Markus Zusak Editora:Intrinseca Cotação: Bom
"Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler."

Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em "A Menina que Roubava Livros", livro há mais de um ano na lista dos mais vendidos do "The New York Times".Desde o início da vida de Liesel na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade desenxabida próxima a Munique, ela precisou achar formas de se convencer do sentido da sua existência. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi largada para sempre aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona de casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, trazia escondido na mala um livro, "O Manual do Coveiro". Num momento de distração, o rapaz que enterrara seu irmão o deixara cair na neve. Foi o primeiro de vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes.E foram estes livros que nortearam a vida de Liesel naquele tempo, quando a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, dando trabalho dobrado à Morte. O gosto de rouba-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas e destacou delas seriam mais tarde aplicadas ao contexto a sua própria vida, sempre com a assistência de Hans, acordeonista amador e amável, e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar.Há outros personagens fundamentais na história de Liesel, como Rudy Steiner, seu melhor amigo e o namorado que ela nunca teve, ou a mulher do prefeito, sua melhor amiga que ela demorou a perceber como tal. Mas só quem está ao seu lado sempre e testemunha a dor e a poesia da época em que Liesel Meminger teve sua vida salva diariamente pelas palavras, é a nossa narradora. Um dia todos irão conhece-la. Mas ter a sua história contada por ela é para poucos. Tem que valer a pena.

12.6.07

Enlouquecer


Quero desprender,
perder a sanidade.
Não existe alegria
em toda essa lógica.

Somente o necessário.
A futilidade dos loucos,
desprendimento juvenil.
Não há razões em tanta sabedoria!

Um sopro de insanidade
e humor.
Para perder as estribeiras.
Para esquecer a dor.

Arriscar
Arrepender
Arrematar
Amar.

9.6.07

Do paraíso à consolação

Iansã coroou o céu com o sol.
Os viados encheram de cor,
as avenidas dessa cinza cidade.
Pena. Pena ser um dia de utopia,
um dia de sonho
por um mundo com mais respeito.
No dia seguinte acordamos desse sonho.
E as mãos dadas se separam,
os beijos são proibidos,
o orgulho tratado com cautela.
Para não sermos agredidos, rejeitados, demitidos.
Um único dia onde temos o direito de cidadão,
protegidos pela policia, apoiados pelo governo,
lembrados pela mídia...
Fantasiados de liberdade,
tomamos nossa dose de esperança.
Para seguirmos nos outros dias do ano
sem nenhuma cor do arco-íris,
só com os discretos tons pastel da indiferença.
E assim é nossa “vida queer”,
como a Parada,
começa deslumbrando o paraíso
mas termina em vãs consolações.

7.6.07

Maldito

Quero ser outra pessoa,
quem sou não me agrada.
Colocar sal nessa existência insípida
Tirar a obnubilação mental.
Quero um soporífero
que me faça esquecer que sou um precito.

4.6.07

Cinema Recomendo: Confidencial

Confidencial (Infamous). Direção: Douglas McGrath. Cotação: Muito Bom

Um assassinato desperta a curiosidade do jornalista Truman Capote. Interessado no acontecimento, ele passa a conviver com os assassinos de uma família que invadiram uma casa de uma família rica em busca de dinheiro. Homossexual e articulado na sociedade da época, ele viaja até o Estado do Kansas acompanhado de sua assistente Harper Lee (Sandra Bullock). Ao conversar com Perry Smith (Daniel Craig), um dos criminosos que passa a dar sua versão para os fatos, Capote se interessa mais e mais pela história. Inicialmente, o repórter procurava apenas uma história para o jornal em que trabalhava, mas depois se viu envolvido com os criminosos, num relato do qual nasceu seu livro A Sangue Frio, considerado um marco no jornalismo literário. À medida que o tempo passa, ele aguarda um desfecho judicial para o caso dos assassinos e assim terá material para finalizar sua obra. [Assista o Trailer]