27.9.07

Não nascem flores no asfalto!


Não vejo flores em toda essa primavera.
Aqui a primavera é cinza,
assim como o outono, o inverno e o verão.

Somos povo de uma só estação.
No frio ligamos o aquecedor
e no verão aumentamos a potencia do ar condicionado.

Na mesa um vaso de flores artificiais.
Estações só na anotação do calendário.

Mas há um colorido de gentes,
de raças, de peles, de sorrisos.
Aromas de perfumes caros e baratos.

Não há troca de folhagens.
Só troca de roupas,
só o colorido dos tecidos.

Aqui as flores não estão nas praças e canteiros,
elas estão nas vitrines das floriculturas.
E custam caro. Apesar de nada terem cobrado para nascer.

Uns cantam; outros choram
E as estações todos ignoram.

20.9.07

Despretensiosa sinceridade


Sou só um libertino.
Se tu não der pra mim quando eu quiser te comer é possível que eu te esqueça. Se tu der e mesmo assim eu te esquecer é porque tu não dá direito ou te achei vazio demais para ser meu amigo.
Não ligo se não suprir tuas expectativas. Sou egoísta demais pra me preocupar com isso.
Minha sinceridade faz com que eu tenha poucos amigos. A maioria das pessoas quando pedem tua opinião querem ouvir um elogio e não uma critica.
Eu amo! Mas, sou incompreendido em minha forma de amar. Meu amor não esbarra em ciúmes, não é impedido por puritanismo e não sofre por antecipação. Meu amor é maior que a necessidade de fidelidade, não pede satisfação e não precisa da coleira da possessividade. Só não suporta mentiras.
Já matei paixões para manter minhas ideologias. O que eu acredito é o que eu sou. Por isso vivo evoluindo em minhas crenças.
Meu amor próprio não permite que eu abra mão de mim por alguém. E o preço dessa auto-suficiência é a solidão.
Ninguém esta a fim de compartilhar sentimentos todos só estão a fim de satisfazer os seus próprios.
A convivência social me cansa, por causa de toda essa carência que as pessoas carregam. E toda lamentação me causa ojeriza.
Tu podes achar que sou infeliz. Que pareço demasiadamente sério. Pode ter certeza que não. Quando não há razão para um sorriso invento uma ilusão.
Não compreendes minhas razões? Não pedi compreensão. O que eu quero, mesmo, é que tu te percas em confusão.

18.9.07

Livro Recomendo: Assim falou Zaratustra


Assim Falou Zaratustra. Autor: Friedrich Nietzsche. Editora: Martin Claret. Cotação: Bom
Assim falou Zaratustra, é um livro de filosofia bem diferente dos outros, no sentido que não é nem sistemático, nem conceitual: sua originalidade estilística consiste em trazer filosofia do campo da ciência para o da arte, libertando a palavra do conceito e a exposição de idéias da lógica argumentativa. Grande admirador da epopéia, da tragédia do romance de formação, esse escritor ao mesmo tempo leve e profundo, que acredita que escrever é dançar com a pena e jamais esquece a musicalidade das palavras, expressa artisticamente seus pensamentos filosóficos neste livro que é o ápice de sua filosofia trágica, através da poesia, da narrativa, do drama. O personagem central de Zaratustra de Nietzsche pretende ser a superação de concepções morais pela coragem que adquire, em seu aprendizado trágico, de querer a vida como ela é, afirmando-a integralmente, sem oposição de valores. Concorde ou não com Nietzsche, realmente é difícil encontrar um texto que transmita um amor tão intenso à vida quanto esse.

13.9.07

O Brasil precisa de um Robin Hood.


O Brasil precisa de um Justiceiro. Alguém que puna os chefes do crime organizado, os corruptores da política, os pastores lavadores de dinheiro, os padres pedófilos e os empresários sonegadores com a navalha.
O justiceiro é uma categoria que atua no vazio e na omissão do Estado, atribuindo a si a tarefa de eliminação dos indesejáveis.

11.9.07

Último ato.


Hoje eu queria um Gran Finale
pra fechar as cortinas dessa patética existência.
Um ponto final nesse roteiro que se repete,
as mesmas cenas encenadas por atores diferentes,
interpretações insípidas, outras medíocres
poucas são as performances dignas de ovação.

E esse teatro com cara de circo de estrada
tem perdido a graça em certas manhãs.
E vejo bons atores caindo do trapézio
vestindo mascaras salubres
E palhaços chorando nos camarins.

Hoje eu queria sorrir um sorriso que não é meu.
Interpretar o samurai e
encenar o ritual do haraquiri.
Ser dirigido por Antonin Artaud.
E mesmo sem a compreensão da platéia,
terminar o espetáculo.
Adentrar na carruagem onde o Tempo é o cocheiro
e partir ao encontro de Anúbis.

10.9.07

Cinema Recomendo: Paranóia


Paranóia (Disturbia). Direção: D.J. Caruso. Cotação: Bom
Depois de passar por problemas familiares, o jovem Kale se rebela no último dia de aula e acaba sendo processado por seu professor. Como punição, ele será mantido em prisão domiciliar durante todo o período de férias, usando uma tornozeleira que limita seus passos, chamando a polícia assim que ele passa do portão de casa. Sem poder sair, e com o videogame e a televisão cortados por sua mãe, Kale e seu amigo Ronnie passam a observar a vida dos vizinhos. À princípio, o alvo é Ashley, que acaba de se mudar para a rua e logo chama a atenção por sua beleza.
Porém, a dupla começa a suspeitar que outro vizinho, o pacato Sr. Turner, é um serial killer procurado. A impossibilidade de Kale em deixar sua casa, faz com que a Paranóia o faça achar que esteja diante de um criminoso. Com a ajuda de Ronnie e até mesmo de Ashley, o prisioneiro observará cada passo de seu suspeito para descobrir quais são as reais intenções dele. Para isso, ele terá de despistar sua mãe e um policial que vive em seu encalço. No entanto, para saber a verdade, ele terá de descumprir a lei e sair do limite imposto. (Trailer)

5.9.07

Livro Recomendo: Bom - Crioulo



Bom-Crioulo. Autor: Adolfo Caminha. Editora: Martin Claret Cotação: Muito Bom
Uma grande amizade pode levar ao crime? Ou existia algo mais entre Amaro e Aleixo? Que papel Carolina exercia entre os dois? Bom-Crioulo conta uma história de paixão e tragédia, ambientada no porto do Rio de Janeiro, do século passado. Baseado em fato real, Adolfo Caminha ousou abordar temas que escandalizaram o público de sua época neste romance forte e sempre atual.

4.9.07

Tua escuridão é minha luz


Leve-me pra tua escuridão,
deixe-me ser um corpo a disposição do teu desejo,
mantenha comigo lascivos segredos,
inicie-me no teu mundo,
faça que eu esqueça essa luz que me atormenta,
é que só haja a chama do afeto
entre eu e você.

3.9.07

Cinema Recomendo: A Ponte


A Ponte (The Bridge). Direção: Eric Steel Cotação: Muito Bom.
A Golden Gate, em San Francisco, é uma das construções que mais atraem turistas no oeste dos EUA. A Ponte exerce tanto fascínio nas pessoas, que muitas delas a escolhem para terminar suas vidas. Mais do que em qualquer outro lugar do mundo, é nela que ocorre o maior número de suicídios. Para tentar entender, o cineasta Eric Steel entrevistou as famílias e amigos de muitas dessas vítimas, além de algumas pessoas que tentaram, mas não conseguiram morrer na ponte.
Além dos depoimentos, o filme conta com imagens da Golden Gate, que foi observada pela equipe durante todo o ano de 2004. Dentre estas cenas, as câmeras chegam a flagrar momentos em que pessoas se matam. O documentário procurou também as testemunhas de alguns destes suicídios, gente comum que passava pelo local quando foram surpreendidos pelo ato desesperado. (Trailer)

Cinema Recomendo: Encontros ao Acaso


Encontros ao Acaso (Come Early Morning). Direção:Joey Lauren Adams. Cotação: Bom
Lucy herdou de seu pai muito mais do que gostaria, como a dificuldade de se relacionar e a tendência ao alcoolismo. Os dois mal se falam, o que frustra a jovem. Apesar de ser uma boa pessoa, sempre dedicando seu tempo aos avós e mesmo a animais abandonados, ela não consegue se ligar a uma pessoa. Seus encontros amorosos se resumem a sexo sem compromisso, depois de uma noite de bebedeira. Na manhã seguinte, ela pega suas coisas e vai embora, sem deixar para trás nenhuma lembrança.
Quando Cal aparece na cidade, conhece Lucy e tenta se aproximar dela. A jovem, acostumada apenas com Encontros ao Acaso, não sabe o que fazer, mas para não estragar tudo pede ajuda de sua amiga Kim. Aos poucos, com a ajuda de Kim, Cal e da religião, Lucy vai aprendendo a lidar melhor com a vida, mas o passado sempre retorna para mostrar quem ela foi. As dificuldades de superar o passado e de se aproximar de seu pai faz com que ela bote tudo a perder. (Trailer)

Cinema recomendo: Cidade dos Homens


Cidade dos Homens. Direção: Paulo Morelli. Cotação: Bom
Às vésperas de completarem 18 anos, os amigos Acerola e Laranjinha continuam suas vidas no Morro da Sinuca, mas agora com mais responsabilidades. Enquanto Laranjinha se vira como moto-taxi e tenta seduzir Camila, a garota dos seus sonhos, Acerola trabalha como vigia noturno de um condomínio para sustentar Clayton, seu filho de 2 anos. O descaso de um como pai, contrasta com a vontade do outro de conhecer quem foi o seu.
Os amigos, então, partem em uma jornada para buscar o verdadeiro pai de Laranjinha. Pouco eles sabem sobre ele, apenas que era um garçom e jogava futebol no morro. Ao mesmo tempo, Madrugadão, primo do garoto e chefe do tráfico, é traído por Nefasto, que toma o local para si e expulsa quem simpatizava com o seu rival. Os amigos, então seguirão por rumos opostos. Enquanto um tem a chance de conhecer o pai, o outro não sabe como manter sua família inteira. Porém, os dois descobrem segredos do passado que podem abalar a amizade. (Trailer)