Não nascem flores no asfalto!

Não vejo flores em toda essa primavera.
Aqui a primavera é cinza,
assim como o outono, o inverno e o verão.
Somos povo de uma só estação.
No frio ligamos o aquecedor
e no verão aumentamos a potencia do ar condicionado.
Na mesa um vaso de flores artificiais.
Estações só na anotação do calendário.
Mas há um colorido de gentes,
de raças, de peles, de sorrisos.
Aromas de perfumes caros e baratos.
Não há troca de folhagens.
Só troca de roupas,
só o colorido dos tecidos.
Aqui as flores não estão nas praças e canteiros,
elas estão nas vitrines das floriculturas.
E custam caro. Apesar de nada terem cobrado para nascer.
Uns cantam; outros choram
E as estações todos ignoram.












