24.1.08

SAMPA

Sou apaixonado por você, por isso não vejo teus defeitos mesmo quando outros os apontam.
Tuas imperfeições são suprimidas por tantas qualidades. Poderia criar uma lista de tudo que gosto em você. Seria piegas eu sei, pois você nem me ouve.
Me incomoda quando te criticam. E me encho de orgulho quando te elogiam.
Quando me afasto de você sinto saudades. E retornar é sempre uma grande alegria.
Não me imagino abandonando você. Nem sei como seria ter nascido longe de você.
Me completo, cresço, aprendo, multiplico graças a tudo que você me proporciona.
Sou tão apaixonado que acho graça até em tuas calçadas.
Minha cidade querida. Eu seria outra pessoa se não tivesse nascido em teus braços.
Minha São Paulo, meu país.





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23.1.08

Ampulheta


Sinto que a vida passa. E a tenho perdido por entre os dedos. Tento agarra-lá, mas a cada dia ela se esvaí. Tenho pressa. E tenho amarras que não me deixam correr. São receios bobos que na velhice me arrependerei por alimentá-los. Às vezes é preciso um tapa na cara para saber-se vivo. Mas não existem marcas visíveis do tapa que tomei. É a certeza de que o tapa foi só um aviso que me admoesta. É um grito permanente mandando retirar o lacre. Algo martela em meu ser: “Tire o brinquedo da caixinha sem medo de estragar com o uso. Use! A vida não é peça de museu.” A sístole e diástole são como o tic-tac da bomba-relógio que cronometra nosso tempo. Só não sabemos quanto tempo falta. Só a certeza de que vai explodir a qualquer momento.

21.1.08

A dor silencia.


A ofensa.
A minha violência
sentencia
contra mim.

A solitudine.
O meu ermo
enfermo
em mim.

19.1.08

X-9 PAULISTANA: Samba-Enredo Carnaval 2008

18.1.08

Manumissão


Eu gosto mais do Carnaval do que da Páscoa, Natal ou outro feriado.
É o feriado mais sincero. Não tem nenhum sentido religioso, regionalista, patriótico ou carente-sentimental. Nenhum estranho vem te felicitar com palavras vazias ou desejos sem o menor anseio de realização. A Festa da Carne deixa expostos os mais primitivos, instintivos e sinceros sentimentos.
As almas parecem livres. Tudo o que foi reprimido esta solto. Os tímidos podem colocar uma fantasia e ir fazer aquilo que sempre quiseram fazer sem máscara. Só não aproveita quem não descobriu o prazer em transgredir.
É hedonista ou epicurista para outros. É diabólico para alguns ou demasiado humano.
Por diversos anos eu fugi dessa festa buscando o espiritual. O que pode existir de espiritual além do encontro com o próprio ‘eu’? E meu ‘eu’ esta na avenida, no sorriso fácil, no imediato desejo de me sentir humano, carnal.
O Carnaval acolhe porque não julga, não proíbe, não impõe, não nega nossa condição animal. É anárquico, apátrida, ateu! É a alforria!
Só não se entregue à Quaresma, pois é isso que querem os falsos moralistas, que teu ano seja cinza.

9.1.08

CéU - Lenda

Amizade

Amigos partem para rumos distintos. Outros amigos chegam por vias inesperadas. Amigos te deixam só. Outros se tornam amigos ao te acolher na solidão.
Era amigo quem sozinho te deixou? É mais amigo quem acolheu?
Amizade se conjuga no presente. Amizade é presente.
Alguns a gente deixa pra trás, não vale a pena seguir os mesmos passos. Amigos andam no mesmo ritmo ou te ensinam a correr. Dá pra contar nos dedos de uma mão os amigos na hora da aflição. Esses são mais que irmãos.

Preto e Branco

Onde está o gingado do meu preto?
O sorriso negro inconfundível?
Um pretinho assim, perto de mim,
cheio de malemolência.
Às vezes faz falta
dois braços em volta de mim.
Um cheiro e um silêncio acalentador.
Menino deixa de cerimônia
entre sem pedir licença
e saia sem fazer barulho
assim que eu adormecer.

4.1.08

De porta aberta

Oshougatsu! Quero um dois mil e oito com menos proibições. A vida esta ficando tão chata, cheia de atitudes politicamente corretas, lights, diets, rótulos, cuidados, superstições, filas, imposições ecólogas, dietas, determinações sexuais, programas religiosos na TV e nas Rádios, bandeiras pra tudo, etiquetas, aromas artificiais, dress-codes, lugares reservados. São tantos tratamentos diferenciados que estamos mais distantes e perdidos a cada dia. Eu não quero nada imposto. Quero saber quem é aquele que vejo no espelho mesmo que ele mude a cada semana. Não quero o amor perene e nem o superficial, quero só um amor desprendido que me enleve mesmo que só por um mês. Quero dinheiro o suficiente para me mimar. Apaixonar com a porta aberta. Amigos apenas aqueles bem loucos que te arrastam pra tomar banho de chuva, que te chamam de puta, que viajam com você sem ter onde se hospedar, que sejam cúmplices das suas esquisitices. Quero ser tudo mesmo não sendo nada nesse imenso universo. Chorar e dormir pra acordar e sorrir. Beijar e esquecer. Quero novas cores, cheiros, sabores, etnias, melodias, estilos. A vida é tão curta. E eu não sei quando a minha acaba. Que o hoje seja totalmente diferente do ontem e o amanhã seja o que o acaso trouxer. Axé!