29.2.08

O Tetraphármakon da Filosofia Epicurista:



  1. "Não há o que temer quanto aos deuses." Significa eliminar da vida humana temores e crendices. Os deuses de Epicuro não participam dos conflitos humanos, vivem a felicidade eterna, sem necessidade de julgar, condenar ou absolver, por isso, não devem ser temidos. Devem sim ser imitados em sua sabedoria e em sua serenidade, sem qualquer tipo de angústia ou medo.

  2. "Não há nada a temer quanto à morte." Significa que não se deve temer o que não está presente e que quando estiver, não estaremos mais aqui. Portanto a morte para Epicuro é a "privação da sensibilidade", o que significa que não podemos senti-la. Sofrer ao esperá-la constitui um erro e conseqüentemente a perda da serenidade.

  3. "Pode-se alcançar a felicidade". Significa que o homem tem a vocação para uma vida feliz. Não se deve privar dessa possibilidade pelas doenças do corpo ou da alma. "Não sofrer no corpo, não ter a alma perturbada - eis a fórmula epicurista da felicidade". É preciso transformar o tempo de vida em tempo de felicidade. E a felicidade está exatamente no prazer e na serenidade.

  4. "Pode-se suportar a dor." Completa o tetraphármakon, mostrando que, se a dor existe, deve ser curada, afastada através de mecanismos que o próprio homem possui. Quando a dor é física, dever ser eliminada com a rememorização de uma situação prazerosa do passado ou uma esperançosa do futuro. Isto se dá no refúgio ao mundo interior, subjetivo e livre do tempo e do espaço. Quando a dor é da alma, devem ser revistos os valores que orientam a vida. Após esse redirecionamento e conseqüente eliminação de falsos temores, recupera-se a saúde mental e a dor desaparece.

27.2.08

Vacilo


A flor que com espinho fura
quem lhe colhe com ternura.

Levar dor a quem
amor queria dar.

E tanta dor destrói o amor
de quem só queria amar?

E num vacilo deixa o amor escapar.
Era amor o que a dor não pôde aplacar?

25.2.08

Vida, breve vida

Deve-se viver a vida até ao limite, correr o risco de a encurtar, ou deve-se vivê-la regradamente, racionalmente, sem rendição aos impulsos, alcançando uma idade avançada, mas com a possibilidade de chegar à conclusão de que não se viveu plenamente? É preciso muita sabedoria para distinguir o sentimento real do conveniente.

22.2.08

Vácuo Emocional


Quando você estende os braços para abraçar
as pessoas já chegam despejando problemas!

13.2.08

Vaca

Muge
Por carinho pasta
Amamenta só para ter um beiço em seus peitos
Leite oferece para ser ordenada e acariciada em suas tetas
Calada se entrega ao matadouro para ter seu corpo dividido
Exposta é admirada na vitrine do açougue
Feliz. Ela é comida por muitos
Missão cumprida, Vaca profana.

12.2.08

Vertigem

Que falta faz um psicotrópico, um deus, uma ilusão quando a realidade é maior que a imaginação. Viciado em minha solidão fujo de mim mesmo. Sem nunca me confrontar com o espelho. Você se apóia em quê? Ou, em quem? Qual tua evasiva do real? Teu ardil para fugir de tanta existência? Serei o único a não viver em uma dimensão paralela? Nem um caneco de cerveja, um altar, um barbitúrico para me refugiar! E tudo fica tão opaco com freqüência. E desgastante é buscar cor nessa palheta monocromática à qual estou preso. Um círculo constante. Quem vive feliz sem nenhum alucinógeno? Sem nenhum subterfúgio, seja ele qual for?
Vou me agarrar em um patuá até a chuva passar.

6.2.08

Volúpia


Que sorriso
Que toque
Que cheiro
Que boca
Que beijo
Que pele
Que corpo
Que pegada
Que safadeza
Que molejo
Que bunda
Que noite
Que pena...
que acabou.