27.9.09

Em conserva



No inicio o pote ficava sempre aberto. A volúpia era tanta que nem se pensava em fechá-lo. Todos os dias como um ritual prazeroso o conteúdo do pote era sorvido. Havia deleite, alegria e, às vezes, até fastio. Quando ocasionalmente não era possível chegar ao pote o desejo aumentava e, quando, na posse dele o gozo era redobrado. Com o tempo o pote não foi mais solicitado com tanta freqüência.  Ou a sede já não era tanta ou seu conteúdo foi perdendo o sabor. Resolvi deixar o pote fechado para que insetos não se apossassem dele.  Passei a ter que lembrar que o pote estava ali. Mas os recados começaram a fadigar. Hoje pela manhã notei que a validade já esta para vencer. Resolvi colocá-lo na geladeira. Mas já me dei conta que mais cedo ou mais tarde terei que me desfazer dele. E no final só restará a lembrança das primeiras colheradas.

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